Desconstruindo o mimimi. E a busca pelo equilibrio entre o negacionismo e o alarmismo.

Ser humano é sofrer. Ninguém consegue isenção.

O sofrimento nos enche de dor e dúvida.

Não há emoção que seja mais espontânea e individualizada que o sofrimento.

Neste texto quero pontuar breves reflexões que estou tendo sobre esse momento que estamos vivendo, e recorri a leitura de um livro chamado Lamentações que na forma de um poema acróstico (cada versículo se inicia com uma letra do alfabeto hebraico) relata o sofrimento que o povo de Israel viveu enquanto estava no exílio.

A experiência do sofrimento desenvolve o sentido de relevância.

Se outras pessoas choram comigo, é porque deve haver mais no sofrimento que o meu próprio sentimento de perda. Quando pessoas se juntam ao sofredor, há uma “validação consensual” segundo a qual o sofrimento significa algo. A comunidade decide com suas lágrimas que o sofrimento é digno de choro.

Mas, quando a comunidade não dá ouvidos a algo — quando não há uma alma à minha volta que se preocupe comigo —, então o sofrimento é anulado.

Na psicanálise entende-se que essa anulação pode desencadear em uma repressão. Que por sua vez poderá ser respondida ao nosso corpo com a somatização, também conhecida como  doenças psicossomáticas. Essas doenças são desordens emocionais ou psiquiátricas que afetam também o funcionamento dos órgãos do nosso corpo. Enxaqueca, dores no corpo e alergias são um dos exemplos.

Cuidado com as técnicas para aliviar o sofrimento.

Vincent Van Gogh: Sorrowing Old Man. Maio de 1890.

O sofrimento é um estado que estamos particularmente vulneráveis. Tratar o sofrimento como um problema é diminuir a pessoa. O fato de que Lamentações não oferece meios para um encantamento ou fórmulas mágicas para garantir a proteção contra os efeitos da ira divina — prática comum nas civilizações vizinhas de Israel — serve de advertência contra a aquisição de “técnicas” para aliviar o sofrimento.

O livro de Lamentações não é um plano que nos ensina a administrar a dor.

Nada diminui mais a pessoa que sofre do que procurar minimizar sua dor. E nada pode dar mais sentido ao sofrimento que o levar a sério, oferecendo à pessoa que sofre nossa companhia e até mesmo a indicando buscar terapia e grupos de apoio.

Peça ajuda.

Colocarei nessa reflexão fragmentos do livro de Lamentações.

Eu desisti da vida.

Esqueci o que é uma vida boa.

Lembro-me de tudo — ah, e como lembro!

o sentimento de chegar ao fundo do poço.

Quando a vida está difícil de suportar,

entregue-se à solidão. Recolha-se ao silêncio.

Curve-se em oração. Não faça perguntas.

Espere até que surja a esperança.

Não fuja das provocações: encare-as.

O pior nunca é pior.

O Eterno se mostra bom para aquele que espera nele.

Ele não tem prazer em tornar a vida difícil,

em espalhar pedras pelo caminho.

O Eterno nós da um novo começo.”

Não busque a negação da realidade e não se entregue ao pavor.

Vimos que a negação da realidade e a anulação do sofrimento causam males como a somatização em você e em pessoas ao seu redor.

Por outro lado, o alarmismo e o pavor também nos leva ao caminho de instabilidade que fazem retroalimentar a ansiedade e o caos interno, que inevitavelmente nós gera doenças psicossomáticas, e porque não dizer também danos espirituais.

Por isso, peça ajuda. Não é mimimi.

Pablo Picasso: Weeping Woman. 1937

Você nunca mais verá um filme da mesma maneira depois de ler este texto.

A arte de contar uma história surgiu com a seguinte finalidade: educar um grande número de pessoas a não desobedecer o Estado nem os deuses (metafísica). Essa definição é dada por Aristóteles. Há mais de 300 anos antes de Cristo. 

Não é à toa que os teatros gregos tinham uma narrativa moralizadora. O nome tragédia grega apontava para apresentar um bode expiatório, ou seja quando alguém não faz o certo, desobedece as leis do Estado ou dos deuses, no final seu destino é a morte. Com isso, toda a população que assistia a peça entendia claramente a mensagem passada. 

Chamaremos este primeiro momento da história da narrativa de primeiro campo. 

1º Campo: Tenho uma moralidade para te contar.

O jeito de contar uma história com essa finalidade de educar com uma moral vem desde o teatro grego até o filme Greenbook, vencedor do Oscar de melhor filme do ano de 2019. Quando nos é ensinado a mensagem: é errado ser racista. 

Green Book: O Guia (2019) direção de Peter Farrelly.

As características de um filme de primeiro campo tendem a mostrar um personagem plano. Fulano é racista e ponto. Ele é só isso, dificilmente apresenta camadas psicológicas diferentes. Estes personagens beiram o estereótipo. Em comédias de sitcon ou filmes da Disney é comum encontrarmos personagens assim. 

A existência dos personagens nesses filmes é idealizada. Os eventos ocorrem de forma muito rápida, dando a impressão que na vida as coisas acontecem desta forma. 

Outras característica é o efeito extraordinário que a vida pode tomar. Bem comum de se encontrar em filmes de super-herói. 

Mas a vida não é assim, certo amigos e amigas leitoras deste blog? Aliás, obrigado por terem lido até aqui kkk. 

Lá no século 19 d.C., devido aos movimentos marxistas a arte passou a ser afetada pelo discurso político. E não apenas isso, mas a forma de contar histórias passou a ser ressignificada. Agora, entramos no segundo campo.

2º campo: Tenho uma imoralidade para te contar.

Se eu contasse a história de um pai de família que perdeu seu emprego de maneira injusta, e encontrasse uma mala cheia de dinheiro, e por você se simpatizar com o personagem, passaria a torcer para que ele pegasse essa mala? Já que no seu íntimo, você reconheceria que não agiria tão diferente. 

Torcer para um anti-herói tem se tornado comum, e o sucesso de filmes como O Coringa, e até mesmo séries como La Casa de Papel, ou Breaking Bad estão aí para provar. 

Coringa (2019) direção de Todd Phillips.

O que o discurso marxista tem haver com isso? 

Vamos lá. O termo vilão vem das pessoas que moravam nas vilas durante o império romano, ou seja, os marginais e pobres, quando não eram vistos, eram identificados como pessoas ruins. Surge aí uma porta para discursar acerca da guerra de classes. Quem aí assistiu Parasita, vencedor do Oscar de melhor filme 2020? 

Filmes que retratam minorias, discriminação racial ou por gênero tomaram conta da recente história de Hollywood. Lembremos de Moonlight, também vencedor de Oscar de Melhor Filme de 2017. 

Para retratar estas pautas políticas foi necessário criar personagens com camadas, e não planos. Sua angústia passou a ser dúbia e a apresentar luzes e sombras. Transtornos psicológicos passaram a ganhar força nos personagens. 

Evoco o texto de São Paulo: “Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço.” Esta contradição torna um personagem rico em humanidade, e mais fácil para nos identificarmos com ele, ainda que ele seja um alguém desprezado pela sociedade ou um vilão. 

Sua existência não é idealizada, mas apresentada de forma difícil e parcimoniosa, ou seja as mudanças — quando ocorrem — surgem de forma lenta. Um processo muito parecido para quem já fez terapia, e percebeu seus altos e baixos, quando em uma semana sai da sessão achando que vai mudar de vida, e na sessão da semana seguinte já quer jogar a toalha. 

Geralmente nesse campo temos filmes lentos, onde somos convidados a conhecer os transtornos psicológicos de um personagem (entro nos detalhes destes transtornos em um próximo texto). Por isso, ao invés de termos eventos extraordinários, encontramos os ordinários

Mas pera lá um pouquinho (leia isso com a voz do Ciro Gomes), o segundo campo também tem a pretensão de nos ensinar, ou passar uma mensagem. Será sempre assim? Precisamos ser educados o tempo todo?

Pois então, eis que no século 20 alguns artistas passaram a reclamar dessa suposta presunção de educar as pessoas por meio da arte. Dizendo que no fundo o primeiro campo não diferencia tanto do segundo, pois ambos querem nos ensinar. E a arte poderia ficar limitada tanto na moral da metafísica (divina), ou da matéria (política ideológica). 

Então sejam bem-vindos ao terceiro campo.

3º campo: Tenho uma amoralidade para te contar.

Por que sempre tem que passar uma mensagem? Nietzsche acabou de nos dizer que Deus está morto.

Qual o sentido de lutar por uma verdade absoluta? A pós-verdade quer ganhar seu espaço na mesa. Moralizar não deveria ser o objetivo final da arte, segundo eles, mas sim para termos uma experiência. 

Estética, em termos filosóficos significa percepção, sensação e sensibilidade. É neste lugar que o terceiro campo quer fazer morada. Nessa experiência individualizada, onde você é quem dará o sentido para aquela história, baseado na sua cosmovisão. 

Os personagens de um filme assim não serão planos. E nem cheio de transtornos psicológicos, pois estes narradores dizem que os personagens de segundo campo são um grande Édipo gordo cheio de complexidades o tempo todo. Os precursores do terceiro campo dizem que na realidade somos mais próximos de um livro no Kindle, profundos, porém leves, que apenas deslizam de situação em situação sem ter necessariamente carregado algo para ser decifrado, já que mudamos de papéis constantemente no dia a dia. 

Vamos de exemplos. Na rotina normalmente assumimos diversos papéis. Ao entrar no Uber somos um passageiro, ao sair e entrar em nosso trabalho assumimos uma outra postura, que é diferente daquele de quando estamos em família ou com nossos amigos. Estamos constantemente deslizando de papel. 

Esses filmes não se apoiam em eventos extraordinários, nem ordinários, mas sim banais. Um filme de terceiro campo a ser citado aqui é o Estranhos no Paraíso de Jim Jarmusch. Uma narrativa que mostra imigrantes (muito comum no terceiro campo) com dificuldades de se adaptar aquela língua e cultura, e a mensagem do filme, como é próprio desse campo narrativo, fica totalmente com o telespectador. 

Estranhos no Paraíso (1984), direção de Jim Jarmush.

Outro tipo de filme de terceiro campo é aquele onde somos convidados a entrar em sonhos. E sonho por definição é algo banal, que muitos de nós temos com certa frequência, porém com uma narrativa aparentemente sem pé nem cabeça. Apenas alguns fragmentos que guardamos no nosso inconsciente. Para ilustrar a dica aqui é o filme Império dos Sonhos de David Lynch:

Império dos Sonhos (2006), David Lynch.

Quem bebe dessa fonte do terceiro campo também é o chamado Teatro do Absurdo:

A Cantora Careca , peça de Eugène Ionesco.

Revisão

Para deixar claro a mensagem de cada campo narrativo vou me apoiar na pintura. 

Mona Lisa é um exemplo de quadro de primeiro campo, pois tem uma mensagem clara ali que não nos deixa dúvidas que vemos uma mulher sorrindo.

Mona Lisa, A Gioconda, pintura de Leonardo da Vinci

Picasso, já é mais próprio do segundo campo, porque podemos ver que há alguém ali, porém com uma mensagem borrada, distorcida, imoralizada que precisa de um esforço nosso às vezes para codificar a mensagem.

Busto de Mulher (1944), de Pablo Picasso

Jackson Pollock é um tipo de pintura de terceiro campo, porque ela nos convida a entrar na estética abrindo espaço para inferirmos o sentido que damos a aquela obra.

Ritmo de outono (Número 30), 1950, Jackson Pollock

E aí, com qual campo narrativo você tem mais interesse de assistir? Viu como dá pra ser cult? kkk

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Os três arquétipos de alguém perdido.

Na origem grega, arquétipo significa o primeiro modelo. Romeu e Julieta é um arquétipo de amor impossível. A Madre Tereza simboliza alguém que tenha muita bondade. Corinthiano é o ícone de alguém que seja ladrão (claramente um estereótipo construído por ressentidos que não são bicampeões mundiais).

Neste texto irei abordar três tipos de arquétipos de alguém que se encontra perdido. De acordo com três parábolas, registradas em Lucas 15, contadas por Jesus.

1. Aquele que se perde por estupidez.

“Imaginem que um de vocês tenha cem ovelhas e perca uma delas. Será que não vai deixar as noventa e nove no pasto para ir atrás da que se perdeu? E, quando a encontrar, ficará feliz da vida e a levará nos ombros de volta para casa. Vai até chamar os amigos e vizinhos e dizer: ‘Vamos comemorar! Encontrei a ovelha que eu havia perdido!’. Acreditem, há mais alegria no céu pela vida resgatada de um pecador que por noventa e nove pessoas que acham que não precisam de salvação”.

Ovelhas são conhecidas por sua falta de inteligência. Não à toa existe aquela expressão: “fulano foi para tal lugar como uma ovelha vai para o matadouro”. O abate de bois é esperado com muito berro e esforços frenéticos para escapar, mas as ovelhas vão para sua morte quietamente, sem resistência.

Algumas pessoas têm a mesma capacidade — não parecem fazer algo deliberado ou intencional; simplesmente vagueiam e se afastam de Deus por pura ignorância e acaso.

2. Aquele que se perde por ter sido negligenciado.

Imaginem uma mulher que tenha dez moedas e perca uma delas. Será que ela não vai pegar uma lanterna e vasculhar a casa até encontrá-la? E, quando a encontrar, vai chamar os amigos e vizinhos e dizer: ‘Vamos comemorar! achei a moeda que eu havia perdido!’. Acreditem, cada vez que uma alma perdida se reencontra com Deus, os anjos também comemoram”.

Não foi culpa da moeda o fato de ter sido perdida. Alguém a perdeu. Você não pode culpar a moeda por isso. É assim que algumas pessoas se afastam de Deus. A falta de cuidado de um pai, o mau exemplo de um amigo respeitado, o conselho de algum líder famoso que foi seguido à risca.

Foi a falta de cuidado de alguém.

Aproveito este último exemplo para indicar um livro chamado Feridos em Nome de Deus. Uma narrativa inspirada por pessoas que conheci pessoalmente.

3. Aquele que se perde por rebelião.

Meu último arquétipo é baseado na mais conhecida parábola: a do filho pródigo.

Difícil entender as razões do porquê o filho mais novo teve o impulso de pedir sua parte na herança e vazar daquela família.

O que sabemos é que ele passou a agir de forma indisciplinada e esbanjadora. O famoso ostentador do rolê. Não demorou muito e ele desperdiçou tudo o que tinha. E seu caminho o levou a ter vontade de comer a lavagem dos porcos.

Isso o fez cair na realidade. Ele pensou: “pô, se eu ao menos voltar a trabalhar como empregado para o meu pai, já vou estar no lucro.”

Enfim, pai e filho se reencontram e ele é recebido com beijos, abraços e uma grande festa.

Note, a sua rebelião o levou a não se perceber mais como um filho dele. E o pai nem deu bola para isso.

Quando achamos que a história havia acabado por aí, eis que surge um segundo personagem, o filho mais velho. Ele demonstra um outro tipo de revolta. A inveja pautada na meritocracia.

Percebemos nessa narrativa é que ambos os filhos estavam perdidos. E suas revoltas estavam camufladas e foram manifestadas de formas diferentes.

Mas e agora, tem jeito de eu deixar de ser perdido?

Neste ano, ouvi um cantor chamado Jason Upton que havia lançado seu álbum chamado God Find Us (Deus nos encontra).

Deixarei a letra de sua música aqui como reflexão final.

Nós não encontramos Deus
Deus é quem nos encontra
Essa é a boa notícia

Essa é a boa notícia

Nós não encontramos Deus
Deus é quem nos encontra. Então, quem encontramos?
Bem, nós nos encontramos eventualmente, esperançosamente

E quando o fazemos, encontramos aquele que nos encontrou e nos amou muito antes
Nós poderíamos nos encontrar e nos amar
Pois somos moldados e formados pelas mãos de Deus
Somos firmados antes mesmo de podermos aguentar firmes
Somos amados muito antes de sabermos como amar

E como Jonas, mesmo quando fugimos de nossa vocação
Na maioria das vezes, acabamos dando de cara com Ele
.

God Find Us – Jason Upton.

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Quando as lágrimas valem mais que a Teologia.

Pare de ficar triste!

Deus está no comando de tudo! Por que você está assim?

São incentivadores comuns que ouvimos, não raras vezes por pessoas bem intencionadas.

O livro de Jó é sobre uma pessoa supostamente boa que passou um baita perrengue na vida. Do dia para a noite ele perdeu tudo: filhos, seus bens materiais e sua saúde.

Não demorou muito até seus amigos aparecerem para o consolar.

Porém, para seus amigos não havia espaço para o mistério. Nem para ambiguidade. Nenhum espaço para uma dúvida razoável. Eles tinham um moralismo matemático.

Segundo seus amigos, se Jó está sofrendo é possível apresentar uma explicação teológica.

Importante termos em mente que quando pisamos em terreno alheio, devemos tirar os calçados, e reconhecer que estamos caminhando em solo sagrado. Em linhas gerais, isso pode ser também entendido como responsabilidade afetiva.

Por isso, a primeira de dica de ouro é essa: apenas de seu comentário sobre alguém que esteja sofrendo ou angustiado se o outro pediu a sua opinião.

Na sociedade é bem comum encontrarmos pessoas que não seguem essa linha e se apressam para apresentar uma certa prescrição de medicação moral. Como se o mundo fosse em preto e branco. Sem tons de cinza, nem incertezas e nem ambiguidades. Faça isso e isso, e dará tudo certo.

E então, por isso agora apresento a segunda dica: as orações são mais úteis que as prescrições morais.

Digo isso porque algumas vezes, podemos criar uma situação desnecessária de condenação ao invés de conforto e compaixão.

E por que eventualmente agimos assim?

Acredito que nos falte humildade e até mesmo honestidade. Explico melhor.

Eu já me percebi no passado querendo ajudar as pessoas, porém, quando elas melhoravam ou se resolvessem nos seus conflitos, eu notava em mim um sentimento de irrelevância e inutilidade a partir dali.

Mas espere. Por que eu me sentia assim? Notei que estava ajudando para valorizar o meu ego. Criando assim uma relação de codependência: preciso de pessoas precisando de mim.

Como sair dessa?

Evoco Sócrates que nos ensinou a máxima: só sei que nada sei.

Nossa postura para ajudar alguém pode ter inspiração na filosofia ética socrática que nos incentiva a termos uma postura de humildade frente a situações complexas. Quando não queremos oferecer o melhor argumento. Mas sim, estarmos abertos a uma transformação interior, nem que isso seja estarmos expostos às nossas contradições.

Voltando a história de Jó, a teologia dos seus amigos era de regras a serem obedecidas; não de relacionamentos a serem vividos.

O mundo está cheio de pessoas assumidamente más que não sofrem, mas vivem no luxo até o fim de seus dias, e tudo lhes vai bem. A conta do mundo nem sempre fecha, por isso também existem as lágrimas.

Por essa razão, a terceira dica é que não podemos nos limitar a um moralismo simplista do tipo: se você está sofrendo é por que fez algo de errado ou Deus quer te ensinar alguma coisa. Esse moralismo simplista não dá espaço para as lágrimas.

Ao sermos rápidos para os clichês, e lentos para orar certamente podemos cair nesse equívoco de passarmos uma teologia fria.

Nós nunca iremos compreender totalmente a Deus. Logo, muito menos seu modo de agir, por essa razão não é recomendado em situações de luto ou de doença terminal apresentarmos discursos prontos. Acredito que isso vale também para esses dias atuais de pandemia.

Que nossas mentes não fiquem pequenas, nem nossas emoções limitadas! Tanto quanto a complexidade da angustia das pessoas que estão sofrendo em nossa volta.

Pedir à Deus por mais sensibilidade, é minha quarta dica.

Entre ter a falta de eloquência ou a insensibilidade. Tenha medo de ser insensível.

Há pessoas que estão chorando que não procuram encontrar uma resposta, mas sim serem encontradas por Deus. Não à toa, de tempos em tempos, não conseguimos o que queríamos, mas o que precisávamos.

Por fim, minha quinta e última dica é: tente deixar de lado a tendência que todos nós temos de dar respostas às perguntas, que alguém que está sofrendo nos faz. Em vez disso, responda estando presente no sofrimento dessa pessoa, sentando-se ao lado nas cinzas e chorando com ela.

Lembre-se de que o silêncio pode ser mais eloquente que o discurso, e as lágrimas podem ser mais eficientes que a teologia.

Não à toa, por duas vezes, a Bíblia registrou histórias que a resposta de Jesus para um problema era simplesmente o choro. Ainda que ele possa ser sim consolado, as lágrimas devem existir.

As lágrimas e o silêncio sendo mais eloquente que a teologia.

Falando sobre o tabu de “dar um tempo” na relação.

Quem aqui já passou, ou passa por essa situação de ter que lidar com a seguinte informação: “Querido(a), precisamos dar um tempo…“?

Podendo essa justificativa ser “para me conhecer melhor“, ou seja o que for, esse é um tema que costuma atormentar e suscitar diversas questões internas em um ser humano.

Lá vou eu me aventurar, e começarei comentando sobre os diferentes sentidos da palavra tempo em si.

Tipos de significados para a palavra tempo.

Tempo histórico (Cronos): essa noção de tempo, geralmente é ancorada em alguma convenção social. Por exemplo, um documento que registre que estamos no século 21, ou que determine que hoje é quinta-feira, e que amanhã seja dia dos namorados. Esse calendário imaginário é isso. Tem a função de organizar e nos ajudar a planejar a nossa vida baseada nessa construção coletiva imaginária.

Tempo biológico ou celular: neste sentido, a questão do tempo não é criada por convenções sociais. Mas quem dita esse ritmo é o nosso próprio corpo. Por exemplo, uma pessoa entediada pode dizer para si mesma olhando para a parede que o tempo não está passando. Mas pera lá um pouquinho, o tempo está passando sim, nossa fisiologia celular está em constante transformação, mesmo que sintamos que nada está mudando. Vamos perdendo a elasticidade de nossa pele, e o que podemos fazer no máximo é retardar esse processo, hoje por meio de cirurgias estéticas.

Tempo psicológico: já este é influenciado pelo tanto de coisas que temos em nossa cabeça que pode nos deixar ansiosos vendo que supostamente o tempo está passando devagar demais. Voltemos para a situação da pessoa que está entediada e recebe o telefonema de uma oportunidade de trabalho, e ela é informada que deve estar no outro lado da cidade em meia hora. Esse tempo que para ela estava passando arrastado, agora sua sensação é que passará depressa demais.

Tempo físico: quando você olha para uma estrela, pode ser que ela não esteja mais lá. Isso acontece porque até a velocidade da luz chegar aos nossos olhos existe um certo delay, que faz com que o tempo se torne nesse caso relativo. Sendo presente para nós algo que já é passado, dependendo de onde o objeto observado se encontra.

Tempo sociológico: aqui o contexto do lugar em que você está tem influência. Se você é um paulistano, a forma com que você se relaciona com o tempo provavelmente é diferente da forma de um morador de uma praia isolada, onde tempo por lá passa devagar. Isso acontece porque esse significado de tempo depende dos vínculos materiais que estão associados ao seu cotidiano.

Tempo Kairós: na mitologia grega, Kairos era filho do Cronos, sendo ele o deus das estações ou oportunidades. O que expressava uma ideia contrária de seu pai. Outra forma prática de se entender esse significado é se questionar: “por quanto tempo dura um novo corte de cabelo?” essa resposta é subjetiva que esse tipo de tempo nos entrega.

Ainda sobre o Kairós, agora dentro da teologia, o tempo de Deus (O Eterno) está associado a essa noção de tempo, pois está escrito na Bíblia Cristã que: “(…) um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia” (2 Pedro 3:8)

Legal, Mateus, mas e ai? Qual é o tipo de tempo que estou vivendo com minha cremosa ou meu crush?

Bom, no próximo tópico falarei mais sobre “o pedido de tempo” dentro da vida como ela é.

O tempo não para.

Eu vejo o futuro repetir o passado
Eu vejo um museu de grandes novidades
O tempo não para
Não para, não, não para

trecho de canção de Cazuza chamada “O tempo não para”.

Tenho uma amiga que me dizia que “quem pede tempo é relógio“. Risos.

Bom, minha opinião direta, que está longe de ser canônica ou categórica, é que em uma relação onde um ama o outro, dificilmente alguém decide correr o risco de perder esse diamante que encontrou.

Além das experiências pessoais que vivi, apoio meu pensamento no best-seller Mulheres Que Correm Com Os Lobos da autora Clarissa Pinkola. Segue imagem do trecho em destaque:

trecho das notas do livro Mulheres que Correm Com Lobos de Clarissa Pinkola.

Imagine que você está com sua parceira (o) vendo um filme. E um dos dois decidem firmemente dar pause, mas o outro(a) não quer que esse pause seja dado. Bom, as opções que restam neste controle para essa pessoa contrariada são duas: voltar para trás, ou avançar para frente.

Conheço muitos e muitas que optam em viver voltando para trás enquanto está nesse pause. Ficam rememorando e rememorando lembranças. Desde bons e únicos momentos, à culpas de possíveis erros que pode ter cometido e poderiam ter motivado que seu companheiro(a) optasse pelo pause.

Mas engana-se quem ache que tudo está de fato em pause. Como vimos, o mundo roda e nosso corpo biológico se transforma quer queiramos ou não. Estamos a todo momento criando novas lembranças e sinapses.

Neste caso, é recomendável que prestemos atenção em como nos comportamos nesse suposto período de pause. Recorro novamente a Bíblia para citar trechos de uma famosa passagem que está em Eclesiastes 3:

“Para tudo há uma ocasião certa;
há um tempo certo para cada propósito
debaixo do céu:

tempo de chorar e tempo de rir,
tempo de prantear e tempo de dançar,

tempo de abraçar e tempo de se afastar,

tempo de procurar e tempo de desistir,
tempo de guardar
e tempo de jogar fora,

tempo de calar e tempo de falar,

tempo de amar e tempo de odiar,
tempo de lutar e tempo de viver em paz.”

Creio que aprender a contar nossos dias seja uma atitude sábia.

Não permitir que tudo ocorra de modo automático ou deixar nosso tempo de vida à mercê do tempo de terceiros seja um bom desafio.

Ter a coragem para se esforçar em ser o protagonista de sua própria vida e não permitir que seu tempo fique supostamente travado, sendo que na realidade ele nunca esteve parado.

O tempo não para, e é libertador ter forças para viver dessa forma.

Será que as vezes não precisamos colocar um ponto final, onde insistimos sozinhos colocar uma virgula?

Série Friends, onde os personagens Rachel e Ross vivem o drama da pausa.

Explicando o por quê é gostoso compartilhar fake news. E como isso dá ruim.

Aquela agradável sensação de pertencimento.

A princípio não darei a definição do que é fake news, mas sim apontar razões do por quê temos prazer em ler e divulgar notícias que confirmam aquilo que já acreditamos. E algumas consequências disso.

Uma vez vi a seguinte charge: um pai está sentado lendo uma notícia, e sua filha diz para ele que o que ele compartilhou é uma fake news.

E este pai assustado questiona: Como pode ser fake new se está dizendo a mesma coisa que eu penso?

Ler uma noticia, ou um artigo que confirma com palavras mais sofisticadas o que nós já diziamos da uma sensação agradável de que estou do lado certo e da verdade.

Melhor ainda se ao compartilhar esta noticia, recebo likes e comentários reafirmando essa minha linha de pensamento entre meus pares. Somos reconhecidos como alguém relevante.

Nesta hora vivemos o senso de pertencimento. Não sou supostamente um alienado ou inútil na sociedade. Alias, quero mais, vou amplificar minha voz, já que sou sábio e tenho liberdade para me expressar.

Ninguém rouba minha liberdade de expressão.

Na semana em que escrevo esse texto, o mundo coloca em pauta a questão: Fake News ou Liberdade de Expressão.

Nos Estados Unidos, Donald Trump teve um embate com o Twitter, já que teve um de seus tuítes categorizado como fake news pela própria plataforma.

No Brasil, foi a vez de blogueiros alinhados com o governo Bolsonaro terem seus notebooks e celulares apreendidos pela polícia federal em operação que investiga redes orquestradas que supostamente desinformam e confundem a opinião popular.

Paralelamente a isso, Christopher Bouzy, criador de um perfil chamado @botsentinel tem recentemente feito barulho por denunciar perfis e hashtags que são impulsionadas por contas inautênticas.

Perfil @botsentinel denunciando contas inautênticas que estariam subindo a hashtag Bolsonaro Reeleito. Pra que? E quem financia isso?

Mas vamos lá, e se não for fake news, mas sim um ato de liberdade de expressão para apresentar um determinado ponto de vista sobre uma situação ou evento, assim como afirmam os acusados?

Liberdade de expressão é um bichinho complicado. Veja os seguinte exemplos:

Na Europa, você pode ser preso até por negar certos fatos históricos como o Holocausto. Até que ponto é permitido fazer uma releitura histórica? Por lá está linha está definida.

O que não está bem claro no velho continente, é como categorizar quem e o que pode cair na chamada lei do esquecimento. Em linha gerais, essa lei da o direito de uma pessoa pedir para retirar algum conteúdo que a ofenda. Mas isso não daria margem para surgirem problemas de censura?

Nos EUA, a liberdade de expressão é levada a um grau maior. Por lá, é lícito empunhar suásticas, queimar bandeiras e dizer quase tudo, desde que não se coloque em risco iminente a integridade física ou patrimônio de outras pessoas. No entanto, a Amazon sofreu pressão de setores da sociedade para retirar produtos que carregavam o símbolo nazista.

E no Brasil, existe o direito de até pedir o AI-5 ou o fechamento do Congresso e do STF. A liberdade para se manifestar a respeito disso, por mais contraditória que possa parecer, está assegurada.

O discurso para criarem agencias reguladoras ou de checagem de informação surgem nessas horas, mas vem na sequência a pergunta: quem checa os checadores?

Enquanto refletimos essa linha tênue entre censura e liberdade para divulgar qualquer coisa. Assistimos pessoas morrerem por causa de fake news.

A menina que teve a mãe morta por divulgação de fake news.

Não é exagero, uma menina de 12 anos, residente da cidade de Guarujá, litoral de São Paulo, perdeu a mãe, por ter sido linchada.

A história é a seguinte: uma mãe teve sua foto publicada em um grupo do Facebook alegando que ela realizava magia negra, e dias depois foi linchada. Detalhe, ela nunca se envolveu com magia negra, e ainda se fosse verdade é bizarro. Como em pleno século 21 isso ainda é possível?

Estaria uma parte da sociedade doente psicologicamente e ou espiritualmente? Ou isso são apenas consequência de vivermos em tempos de pós-verdade?

Pós-verdade: agora já era, é cada cabeça uma sentença.

A definição de pós-verdade direto do Wikipedia é: na hora de criar e modelar a opinião pública, os fatos objetivos têm menos influência que os apelos às emoções e às crenças pessoais.

Charge de Martin Shovel.

Lembra quando ouviamos que “conhecimento é poder”? Pois bem, Noah Yuval Harari atualizou essa máxima para “clareza é poder“.

Temos que aprender a filtrar, conferir as fontes, usar melhor o Google, e buscar ter um toque de ceticismo, bom senso e moderação ao lermos uma informação. Ainda mais se for por meio de uma manchete alarmista.

Outra questão é a de ter a percepção de que não existem santos nessa historia. Explico.

Sim, há blogueiros que divulgam desinformações enviesadas. Mas não podemos ignorar que há interesses comerciais sendo ameaçados pelas grandes e velhas mídias que tem sido afetadas com o advento das novas mídias. Vendo sua audiência e influência cairem.

Ainda sim, acredito que informação paga, geralmente é mais confiável do que aquela que se apresenta de forma gratuita. Mas note, nem sempre.

As consequências dessa combinação, fake news, liberdade de expressão e interesses comerciais apareceram recentemente no desenho South Park onde eles criticavam a Disney e a NBA por sujeitarem seus conteúdos a censura chinesa, por questões financeiras.

Mickey usando a camiseta I Love Xi Jinping, ditador chinês.

Não sejamos ingênuos, Fake News não é novidade.

A guerra de narrativas sempre aconteceu ao longo ao história, porém com advento da internet houve uma potencialização maior dessa disputa que por vezes carrega inverdades e fatos convenientemente distorcidos.

Será que Raul Seixas estava certo quando disse:

Eu não preciso ler jornais
Mentir sozinho eu sou capaz
Não quero ir de encontro ao azar”

Essa história de divulgar desinformação, calunia e difamação é tão antiga, que até esquecemos que Jesus foi morto, por ter supostamente alegado falsas informações ao seu respeito.

Eita povo que sempre gostou de uma calúnia e linchamento.

Um conservador cristão deve ser contra o Bolsonaro?

Comecemos por esse tal papo de ser conservador.

O pai do conservadorismo, Edmund Burke, dizia que o ceticismo é elemento central da filosofia politica conservadora.

Michael Oakeshott, outra referencia do pensamento conservador, declarava que “todo conservador é uma pessoa cética”.

Bom, o que é ser cético?

Ceticismo é um modo de ver o mundo nascido na Grécia antiga que ensina você a duvidar de tudo. A palavra vem do verbo grego skopein e significa observar, ver com atenção.

Tá, legal. Entendido brevemente o significado raiz de ser conservador. Vamos problematizar a questão original.

Um cético chamaria algum ser humano de Mito?

Provavelmente Michael Oakeshott me responderia nos comentários que: “a pior coisa é um líder politico que queira me salvar”.

Um suposto conservador contemporâneo brasileiro, com um pouco de raiva, poderia responderia a ele: Tá mas e o PT? 

É nesta hora que Schopenhauer apareceria nos comentários questionando, o por que de responder uma coisa falando de outra totalmente diferente.

Enfim, como isso não vai acontecer eu mesmo respondo que não.

Não faz o menor sentido um conservador se entregar a um politico dessa forma o chamando de Mito!

Com qual liberdade e credibilidade você irá observar e manter um olhar crítico sobre um outro ser humano que o chama de mito?

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Na esquerda temos a lacrosfera. Na direita encontramos a mitosfera. Tenho preguiça de ambas.

Sigo problematizando. Um presidente que se diz conservador se portaria como diante de uma pandemia mundial?

O coronavírus não é culpa do Bolsonaro. Mas a maneira como ele se posiciona diante da crise. Sim, essa forma deve ser cobrada.

Do que adianta ser contra o aborto e pró-vida, e responder de forma leviana (que age sem seriedade, insensatamente) diante da morte de milhares de brasileiros? Dizendo coisas como: “isso é uma fantasia“.

Essa é uma pauta cara a maioria dos cristãos, então ai entro na segunda parte.

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Um batismo evangélico formando um 17 — número da urna de Bolsonaro. O que João Batista diria disso?

Um cristão deve apoiar o Bolsonaro?

Vamos lá, antes algumas palavras introdutórias.

Defendo a separação da Igreja com o Estado.

A Igreja não pode falar o que é crime, e o Estado não pode falar o que é pecado.

Dito isso, me incomoda ver qualquer manifestação de apoio a um candidato politico dentro de um evento religioso, seja ele quem for.

Isso não significa que a igreja não deva discutir política. Faz parte do processo de ser igreja interferir na cidade para fazer o bem e a justiça.

Lembrando de pessoas notáveis como o Reverendo Martin Luther King que não permitiu que sua atuação ficasse confinada ao templo, mas interveio no contexto político do seu tempo.

Tá, mas e o Bolsonaro? Posso apoia-lo usando o cristianismo como base?

Respondo: Depende.

Depende do tipo de cristianismo que você acredita.

Eu reconheço um cristão da forma que Jesus disse que conheceria: “dessa maneira todos irão reconhecer que vocês são meus discípulos, quando eles virem o amor que vocês tem uns pelos outros.

Olhando por esse viés, não consigo ver cristianismo no governo Bolsonaro que manda um “E daí?” depois de ser informado que o Brasil havia passado a China no número de mortos.

Tratar a vida com desdém, deve sim ser alvo de crítica por um cristão.

Enquanto alguns, pasmem, o chama de mito.

Isso porque João nós disse: “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos”.

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Difícil ver ceticismo e não ver idolatria em alguém que compartilha isso.

Leituras distorcidas sobre o que é ser cristão tem sido feitas para passar aquele famoso pano.

A postura de ser protestante tem ficado de lado, para aceitar um discurso que um dia será — e já está sendo — cobrado por esse cristianismo que virou subserviente (que consente em servir a outro de maneira humilhante; condescendente em demasia) de um projeto politico.

 

Mas e aí bonzão, você é lulista, bolsonarista, insentãosista ou o que? Como posso rotula-lo?

Bom, eu me considero um mateusista.

Isso significa, que o pensamento que mais me representa é a minha própria consciência.

E devo admitir que até mesmo essa “ideologia” , por vezes apresenta suas falhas e contradições.

O que eu quero dizer é que ficar preso a um politico será sempre uma furada.

Ainda mais um politico eleito que está lá para nos servir, e não nós servimos ele.

 

 

Anthony Levandowski quer criar religião tendo como deus a inteligência artificial (AI).

Anthony Levandowski foi um dos engenheiros responsáveis pelo transporte autônomo do Uber e Google (esta o processa por ter roubado dados confidenciais).

Ele pretende criar a igreja do futuro chamada Way of the Future. Levandowski acredita que “por meio da compreensão e adoração da Divindade (AI), contribuirá para o melhoramento da sociedade“.

O que parece ser mais um episódio distópico de Black Mirror nada mais é do que a realidade. Aliás, antiguíssima realidade e do instinto humano de ser como Deus é. A possibilidade de criar um deus é ainda mais tentadora.

Anthony Levandowski foto do site Business Insider.

 

A tendência da convergência religiosa com a tecnologia.

Pesquisei um pouco mais a respeito dessa parceria entre misticismo e tecnologia. E encontrei um outro nome: Reverendo Dr. Christopher J. Benek. Ele é conhecido como um tecno-teólogo e atua em áreas como inteligência artificial e cristianismo trans-humano.

E o que seria cristianismo trans-humano?

Antes de responder essa questão, fui atrás de saber o que é trans-humano.

Imagem do emulafanzine.blogspot.com

Creio ser esse o caminho mais próximo e provável que iremos conviver em breve. Trans-humanismo nada mais é do que um movimento intelectual que visa transformar a condição humana através do desenvolvimento de tecnologias amplamente disponíveis para aumentar consideravelmente as capacidades intelectuais, físicas e psicológicas humanas.

O cristianismo trans-humano, para Benek, nada mais é do que o cumprimento da promessa de Deus positiva de um futuro melhor. Para outros adeptos da fé cristã, negativa, um futuro apocalíptico em que muitos poderão ser enganados.

Esse é o caminho que faz a ciência, e não vejo a religião distante dessa onda.

E aí, seria essa uma tecnologia positiva ou negativa?

Fica a dica pra quem teve paciência de ler tudo: séries Westworld e Years and Years, ambas da HBO.

Fontes e saiba mais em: WiredChristopher J. BenekTecnomundoWay of The Future e Trans-humanismo cristão

Ter autoconhecimento é superestimado?

Sócrates uma vez disse: “Uma vida não refletida (examinada) não vale a pena ser vivida.

Nunca curti a ideia de não saber o que quer da vida, se não souber, creio que devemos ao menos ficar incomodados, e consequentemente, querer ir atrás de tentar descobrir.

E por que é tão importante buscar autoconhecimento?

Porque, assim como imagina em sua alma, assim o homem é.
Esse é um dos saberes registrados no livro de Provérbios.

Costumo comentar para amigos que uma das declarações que norteiam minha caminhada espiritual é: “antes eu ouvi falar a teu respeito; mas agora te conheço”. Jô nos ensina uma distinção entre ouvir falar e conhecer.

Esse lance de conhecer é tão importante que me vem a memória aquela condenação que muito religioso por aí pode passar no final. Quando um cara que se autointitulava um homem do bem, um extraordinário cristão, e até vejam só, fazia milagres, se encontra diante de Deus, e Ele apenas vira pra ele e diz: eu nunca te conheci.

Saindo do contexto religioso, a minha busca pelo autoconhecimento neste ano por meio de terapias, leituras e até meditação (que tinha preconceito), me ajudaram nesse processo de conhecer mais minha inteligencia emocional, e até da chamada QS: inteligencia espiritual. (Livro de Danah Zohar).

Self-deception

Outro movimento que decidi fazer foi o de participar de ações sociais.

É engraçado, mas não ficar olhando só pra si, as vezes ajuda nessa marcha em direção ao autoconhecimento.

Fiquei na dúvida se estava banalizando ou amadurecendo

Acho que o processo de amadurecimento implica em deixar de se apressar para dizer sim ou não, e recorrer mais ao uso da palavra depende.

Oscar Wilde disse que: “não sou jovem o suficiente para saber tudo”.

Reconhecer que o mundo tem muitas áreas cinzas, e admitir que há um contexto que pede um mínimo de ceticismo, são palavras formais para a poesia de Raul Seixas: “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante. Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”.

Entretanto, reconheço que o que é vendido na pós-modernidade por meio de clichês como “não há verdade absoluta”, seja uma baita besteira. Já que essa própria declaração se auto condena como uma verdade questionável.

A tentativa de banalizar o conceito da verdade em sua totalidade, não significa necessariamente uma demonstração de amadurecimento.

Há uma frase no livro mais vendido da história que diz: “O propósito é que não sejamos mais como crianças, levados de um lado para outro pelas ondas, nem jogados para cá e para lá por todo vento de doutrina (lacração ou mitada da época) e pela astúcia e esperteza de homens que induzem ao erro.

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BolsoLula. A união do universo da mitosfera com a lacrosfera.

Essa antiga frase me parece bem atual nessa era de pós verdade, que ao invés de entregar pessoas maduras e supostamente bem resolvidas, seguem perdidas e aparentemente mais angustiadas pelo acúmulo de informações e vozes.

Longe de mim ser o “coach da verdade”, já que nem sou mais jovem o suficiente pra isso.

Mas com a evolução das fakes news e deep fakes, entendo que a tendência desse descolamento da verdade em sua totalidade não nos torne necessariamente mais maduros, mas sim mais banais.

Foi necessário eu escrever esse textão e fazer esse site?

Depende.